Ser competente não é sinônimo de conhecimentos, mas de ter a capacidade de aprender, a cada dia, a partir de sua própria experiência.


sábado, 7 de junho de 2014

Engenharia, uma profissão cortejada



O engenheiro é um solucionador de problemas. A sua formação estimula o raciocínio lógico aliado a características pragmáticas e utilitárias das disciplinas técnicas estudadas no curso. Necessita também de flexibilidade e versatilidade, além da capacidade de se adaptar a elevadas exigências. 

Hoje é uma profissão cortejada, com elevada empregabilidade. Prenuncia-se uma grave falta de engenheiros no Brasil e seguramente é um dos principais entraves ao desenvolvimento social, industrial e tecnológico.

A necessidade de nosso país demandaria 60 a 80 mil novos engenheiros por ano, porém diplomam-se apenas 43 mil. Apenas 6% dos universitários brasileiros são concluintes de uma das engenharias, enquanto nos países asiáticos e na maioria dos países desenvolvidos esse índice varia de 15 a 35%.

No Brasil, duas singularidades agravam a carência desses profissionais: apenas 48% atuam na área de engenharia após diplomados. A outra parte trabalha em gestão, finanças, informática, docência, consultoria etc.; 57% dos ingressantes evadem-se da graduação.

Resumidamente, de cada dez calouros de engenharia, quatro recebem o diploma, sendo que dois exercerão a profissão e outros dois seguirão áreas afins.

A valorização das engenharias não é percebida só pelo mercado. É grande o incremento de ingressantes e a abertura de novas faculdades. Saltou de 454 cursos em 1995 para 3 045 em 2013.

Um estudo que tem a credibilidade do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea (publicado em novembro de 2013) revela que a contratação de engenheiros até 2020 apresentará uma taxa de crescimento de 10,5%. Para comparação, só a área de extração e refino de petróleo e gás necessitará de mais 28%.

Hoje o Brasil dispõe de 937 mil engenheiros, porém apenas 300 mil atuam na área. É muito pouco, considerando que 70% do PIB de uma nação dependem das engenharias.

sábado, 31 de maio de 2014

Mudanças no trabalho e emprego



O mercado de trabalho e o perfil do emprego modificaram-se estruturalmente em função das mudanças tecnológicas e econômicas. Novas especializações profissionais e postos de trabalho surgiram, mas também diversas ocupações tradicionais foram ou estão sendo transformadas, substituídas ou mesmo eliminadas.

Aumentaram as disparidades de remuneração entre os trabalhadores mais qualificados e os demais, enquanto diversas atividades intermediárias tornam-se dispensáveis.

Não é possível antecipar quais serão as novas demandas profissionais que irão surgir nem que rumos irão tomar as mudanças nos padrões de trabalho e emprego. Os impactos dessas transformações irão variar segundo as condições de cada país, região, segmento da economia e a qualificação do trabalhador.

Determinantes dessas diferenças serão as políticas e estratégias adotadas pelos agentes públicos e privados, em aspectos como a geração de empregos para os que ingressam no mercado de trabalho, a qualificação e requalificação profissional dos trabalhadores e o estabelecimento de mecanismos de apoio e recolocação dos desempregados.

Uma preocupação adicional é a deterioração das relações de trabalho. Mantida a tendência atual, alguns estudos apontam que, no início do novo século, apenas 25% da população economicamente ativa será de trabalhadores permanentes, qualificados e protegidos pela legislação.

Outros 25% dos trabalhadores deverão estar nos chamados segmentos informais, pouco qualificados e desprotegidos. E 50% dos trabalhadores poderão estar desempregados ou subempregados, em trabalhos sazonais, ocasionais e totalmente desprotegidos pela legislação.

Cada vez mais se exige dos trabalhadores atualização permanente de conhecimentos, desenvolvimento de habilidades e competências, de modo a atender aos novos requisitos técnicos e econômicos e a aumentar sua empregabilidade. 

domingo, 25 de maio de 2014

Cursos técnicos em alta



A segunda metade do século 18 foi um tempo de invenções como nunca se viu – o momento em que o carvão e o vapor substituíram a lenha nos motores e projetos espetaculares foram aplicados no cotidiano das metrópoles.

Na Inglaterra, berço das novidades, um grupo de operários se reunia para ler e debater artigos científicos. A Lei das Patentes estava em vigor e eles queriam ganhar dinheiro criando soluções para a indústria. A Revolução Industrial mudou o curso da história.

No livro A Ideia Mais Poderosa do Mundo, o americano William Rosen diz que um dos principais fatores para aquele surto de avanço tecnológico foi justamente o surgimento de uma elite de técnicos capaz de ler manuais – e escrevê-los.

A mão de obra de nível técnico como força motriz da produtividade foi, e continua a ser, um dos pilares dos países que dão certo. O diploma técnico, aliado à capacidade de enxergar longe e a muito esforço pessoal, tornou os profissionais aptos a executar as complexas tarefas que os processos industriais de última geração exigem.

Um estudo feito pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) mostra que os setores mais carentes de técnicos são exatamente aqueles que estão impulsionando o PIB: petroquímica, energia, mineração, metal-mecânica e eletromecânica.

Uma evidência de que a remuneração de quem se forma em escola técnica está em alta pode ser verificado em um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV): para cada ano de estudo, os técnicos somam ao salário 14% e aqueles que seguem mais dois anos e se formam tecnólogos, 24% – mais até que os universitários, que adicionam 21% para cada ano na faculdade.

Na maioria das vezes, o técnico recém-formado encontra rápida colocação no mercado de trabalho: 72% dos técnicos e tecnólogos se formam com emprego certo. Estamos falando de um diploma com muito mais aceitação e credibilidade do que os oferecidos por universidades de baixa categoria.

Nesse ambiente favorável, seria razoável esperar longas filas ou processos seletivos muito disputados para ingressar nas boas escolas técnicas do país, a maior parte delas gratuita, mas isso não acontece. No Brasil, apenas 9% dos alunos na faixa dos 15 aos 19 anos estão no ensino técnico. Para comparação: Coreia do Sul 65%, Alemanha 53%, França 44% e Estados Unidos 40%.