Ser competente não é sinônimo de conhecimentos, mas de ter a capacidade de aprender, a cada dia, a partir de sua própria experiência.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

O pensamento criativo



O pensamento criativo é um diferencial importante em praticamente todas as áreas de nossa vida. A criatividade é uma função altamente sofisticada do cérebro humano, que de tempos em tempos nos surpreende com uma visão diferente, inédita e altamente efetiva sobre determinado problema.

Segundo os neurologistas, a solução criativa aflora quando conseguimos driblar os caminhos do raciocínio lógico sequencial. Quando escapamos do óbvio e alcançamos uma visão alternativa, diferente da média da população.

A criatividade resolve elegantemente inúmeros problemas do dia-a-dia e é altamente valorizada social e profissionalmente. 

Lançar um foco novo sobre um dilema antigo, isso é criatividade. Fazer os outros enxergarem aquilo que sempre esteve diante deles, criar atalhos mentais, surpreender o cérebro alheio gerando a famosa pergunta: como eu não pensei nisso antes? 

Cinco passos fundamentais para quem quer se tornar mais criativo:

Direito ao erro. Quem quer ser criativo tem, obrigatoriamente, que se permitir o erro. O que diferencia a ideia genial da absolutamente equivocada é, muitas vezes, um detalhe. O raciocínio lógico e de senso comum é menos fadado ao erro. O criativo arrisca mais e paga seu preço: erra bem mais. 

Mudar a visão do problema. Se quiser ver o que ninguém viu, precisa olhar as coisas como ninguém ainda olhou. Mude a visão do problema. Se coloque na visão de outras pessoas, brinque de resolver o problema em outros contextos. 

Conhecer os caminhos já trilhados. Não é fácil fugir do lugar comum se não conhecemos o lugar comum. Tentar ser criativo sem determinar o que já foi dito, pensado e sentido sobre o problema é perder tempo. Conhecer as trilhas já abertas ajuda a evitá-las. Busque criar atalhos, fundir conceitos, condensar. Estude o assunto, sob vários aspectos, pesquise, não menospreze tudo que já foi feito sobre ele antes. Conhecimento e visão são modalidades fundamentais para as pessoas altamente criativas. 

Dar liberdade ao cérebro. O cérebro humano é fruto de genética, vivência e contexto. A genética é imutável, cada um nasce com um potencial criativo. Mas a vivência e o contexto podem ser mudados. Conheça pessoas, culturas e artes em todas as suas formas. Mude a sua rotina, medite, caminhe, contemple. A resposta não tradicional surge, muitas vezes, em momentos não tradicionais. 

Entenda e use a intuição. A intuição é um tipo peculiar de raciocínio dissociado de linguagem. Um conceito pronto sem base na lógica. Pessoas criativas exercitam, valorizam e expressam suas intuições.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Vigilância sobre a informação



"Vigilância epistêmica" é a preocupação que todos nós devíamos ter com relação a tudo o que lemos, ouvimos e aprendemos de outros seres humanos, para não sermos enganados.

Significa não acreditar em tudo o que é escrito e é dito por aí, inclusive em salas de aula. Achar que tudo o que ouvimos é verdadeiro, que nunca há uma segunda intenção do interlocutor, é viver ingenuamente, com sérias consequências para nossa vida profissional.

Estudos mostram que crianças de até 3 anos são de fato ingênuas, acreditam em tudo o que lhes é transmitido, mas a partir dos 4 anos percebem que não devem crer. Por isso, crianças nessa idade adoram mágicas, ilusões óticas, truques. Assim, elas aprenderão a ter vigilância epistêmica no futuro.

Infelizmente, muitos acabam se esquecendo disso na fase adulta e vivem confusos e enganados, porque não sabem mais o que é verdade ou mentira. Todos nós precisamos estar atentos a dois aspectos com relação a tudo o que ouvimos e lemos.

Precisamos saber se quem nos fala ou escreve conhece a fundo o assunto, é um especialista comprovado, pesquisou ele próprio o tema, sabe do que está falando ou é um leigo que ouviu falar e simplesmente está repassando o que leu e ouviu, sem acrescentar absolutamente nada. O outro aspecto é se o autor está deliberadamente mentindo.

Aumentar a nossa vigilância epistêmica é uma necessidade cada vez mais premente no mundo atual. Muito lixo e "ruído" sem significado científico que nos são transmitidos diariamente por blogs, chats, podcasts e internet, sem a menor vigilância epistêmica de quem os coloca no ar.

Os bons pensadores se preocupam com o método científico, a análise dos fatos usando critérios científicos, lógica, estatísticas de todos os tipos, antes de sair proclamando "verdades" ao grande público.

O problema é que essa elite não é lida, prestigiada, escolhida, entrevistada nem ouvida em primeiro lugar. Pelo contrário, está lentamente desaparecendo, com sérias consequências.  

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Apresentações de sucesso



Se você fizer uma palestra sem conteúdo, só contando historinhas, fazendo piadas e usando citações, os ouvintes vão rir e, no final, poderão até aplaudir de pé. Entretanto, sairão do evento com o sentimento de que foi um momento de prazer, mas que aquele espetáculo não vai servir para absolutamente nada.

As empresas se sentem logradas por acreditar que ao contratar determinadas palestras para motivação dos seus empregados estariam fazendo um excelente investimento. Muitas vezes constatam que o resultado foi fraco, pois ninguém aprendeu nada, perderam tempo e jogaram dinheiro fora.

Quando as pessoas voltam para seus locais de trabalho continuam fazendo o que sempre fizeram, sem que possam aplicar nada do que ouviram. Pior ainda quando tentam explicar qual foi o assunto tratado:

– Ele disse que uma caminhada começa com o primeiro passo. E também para não desistirmos nunca, mesmo que tudo pareça perdido. Falou também que devemos colaborar sempre com os colegas de trabalho...

Você poderia pensar: “Então o jeito é caprichar só no conteúdo, pois assim as empresas e o público ficarão satisfeitos com o resultado. Afinal, investiram para que os empregados assistissem a uma palestra que transmitisse informações para torná-los melhores e mais eficientes”. Errado!

A apresentação de sucesso deve equilibrar show e conteúdo. O segredo é fazer a palestra em diversos blocos distintos, em que um não dependa muito do antecedente para ser compreendido. Outro cuidado que você precisa ter é o de estabelecer um fio condutor do primeiro ao último bloco da apresentação, pois esse recurso dará movimento à exposição, mostrando como o tema está evoluindo. No final faça uma recapitulação da essência das principais informações de cada bloco para mostrar como todas participaram da composição da mesma mensagem.

Às vezes assistimos a uma palestra chata, que não empolga e vemos um a um os ouvintes que estão ao nosso redor pendendo a cabeça de um lado para o outro, isso quando não somos nós os primeiros a dormir, como se o orador ao invés de palavras produzisse sonífero. Geralmente essa é uma situação mais comum em apresentações de assuntos excessivamente técnicos, que exigem total concentração dos ouvintes, como se estivessem em uma sala de aula – e por isso dispersam.

Nessas circunstâncias o palestrante deve seguir a regra simples de separar a apresentação em diversos blocos, sem que um necessite obrigatoriamente do entendimento do anterior para ser compreendido, e incluir em cada etapa os relatos interessantes que servem para arejar a exposição. O resultado deve ser muito mais positivo.